UEFA prepara queixa-crime contra Infantino por lucros da World Cup

A UEFA prepara uma queixa-crime contra o presidente da FIFA, Gianni Infantino, na justiça da Suíça. O motivo central é a suspeita de má gestão financeira em decorrência de um plano fracassado de vender lucros futuros da Copa do Mundo a investidores privados, aprofundando o racha institucional no futebol.

O cenário político do futebol internacional entra em uma fase de tensão institucional sem precedentes nos bastidores. A UEFA está estruturando a apresentação formal de uma queixa-crime contra o presidente da FIFA, Gianni Infantino, perante as autoridades judiciais da Suíça. O ponto central da contestação reside na acusação de potencial má gestão financeira em razão das movimentações e tentativas de vender fatias dos lucros futuros da Copa do Mundo para fundos e investidores privados.

A iniciativa de levar o mandatário máximo do futebol aos tribunais ordinários marca uma ruptura drástica nas relações diplomáticas entre a federação europeia e o órgão que rege o esporte global. Segundo as informações apuradas, a UEFA sustenta que as manobras comerciais idealizadas pela cúpula da FIFA para antecipar receitas extrapolaram os limites da governança prudente, justificando uma averiguação criminal sobre eventuais prejuízos causados às finanças e à estrutura institucional do futebol.

Historicamente, os projetos comerciais da presidência da FIFA que envolviam parcerias com grupos privados de investimento suscitaram fortes resistências no continente europeu. Os dirigentes de federações e ligas da Europa sempre manifestaram receio de que a transferência ou garantia de direitos comerciais e lucros de competições de seleções a agentes externos pudesse desregulamentar o mercado, comprometer a integridade do calendário e transferir o poder de decisão sobre o futebol para entes que não respondem à comunidade esportiva.

A jurisdição suíça foi o caminho escolhido para a abertura da queixa-crime por se tratar do domicílio legal de ambas as entidades. Tanto a FIFA, sediada em Zurique, quanto a UEFA, com base em Nyon, são regidas pela legislação do país helvético. Sob as leis corporativas e criminais da Suíça, administradores e membros executivos podem ser responsabilizados pessoalmente em caso de atos de gestão prejudicial, violação de deveres fiduciários ou exposição indevida do patrimônio associativo a riscos injustificados.

Com o processo de formalização da ação penal em andamento pela equipe jurídica da UEFA, o próximo passo caberá ao sistema judiciário e ao Ministério Público da Suíça, que avaliarão os elementos preliminares para determinar se há lastro para a abertura de um inquérito criminal formal contra Infantino. Até o momento, detalhes aprofundados sobre relatórios periciais e termos específicos anexados à queixa não foram publicamente detalhados, mas o caso tende a redefinir os equilíbrios de poder e as futuras negociações comerciais do futebol mundial.